quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Emanuel, Deus connosco!



Uma vez mais, cristãos e não cristãos celebram a quadra natalícia. Em geral, esta época está associada a muitas emoções e afazeres. Nas nossas casas, fazemos o presépio, enfeitamos o pinheiro com luzes de cores vivas e variadas, preparamos refeições com sabores únicos, compramos presentes, visitamos amigos, recebemos familiares, estamos mais próximos uns dos outros e, não raro, recordamos comovidos aqueles que já não se encontram entre nós. O Natal é um tempo de excesso de beleza, de alegria, de generosidade e, em certos casos, também de consumismo. Lembremo-nos de que, na origem desta festa, está um acontecimento: Deus, excesso de amor, fez-se um de nós na pessoa de Jesus, o Nazareno. Na gruta de Belém, o divino tornou-se frágil e pequeno, pobre e dependente. Um bebé, como outrora já fomos, aproximou-se de nós para nunca mais nos deixar. Ele é o Emanuel, o Deus connosco!
Que seja realmente Natal em cada um de nós. Como Maria, preparemo-nos para acolher o menino Jesus nas nossas vidas.
Santas Festas.
Pe. Nélio Pita, CM

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Parabéns pelo blogue

Olá boa noite Paulo.
Parabéns pelo blogue.
Até quinta.
Jacinta

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A velha pergunta

Partilho também alguns pensamentos sobre isto (o amor de Deus e a infelicidade), até porque este tema é tão velho como a existência de religiões sobre a Terra. A velha pergunta, que bem conhecemos, é pois: "Se Deus é bom, é justo e é todo-poderoso, como podem acontecer coisas más a pessoas boas?" De Abel a Estêvão, a Bíblia está cheia de episódios em que esta pergunta é feita, tantas vezes entre prantos e na escuridão espiritual de uma fé que é posta em causa. Tal-e-qual-zinho à nossa vida.
Não há, nunca houve nem haverá, uma resposta satisfatória a esta pergunta. A resposta clássica, e muito verdadeira, de que Deus respeita a liberdade até dos maus para fazer maldades, deixa de fora uma multidão de infortúnios da vida a que podemos chamar "azares". Mas o drama é que há destes azares que, sem que houvesse maldade de ninguém, têm na vida de quem os sofre a proporção de calamidades, acontecimentos que abalam tudo, que ferem fundo, que trazem de novo ao de cima a pergunta: "Mas porquê, meu Deus?!" A isto responderá Ele um dia, e não é disso que nos devemos ocupar.
Habituámo-nos a achar que os amigos de Deus não deviam ter problemas na vida, e não sei onde é que fomos buscar essa ideia. Sempre foi assim, desde a aurora das religiões, mas é um grande engano. Agora temos mais facilidade em perceber que é engano, porque sabemos que o próprio Filho de Deus sofreu e morreu injustamente, mas a meu ver permanece qualquer coisa dessa visão antiga da relação entre Deus e os Homens. Poderá ser útil a cada um de nós examinar os seus pressupostos sobre Deus, pois é quase sempre nos pressupostos que é introduzido o erro que depois se exponencia. "Assumption is the mother of all screw-ups", dizia o mau da fita de um filme que vi há muito tempo, mas a quem agradeço esta ideia chave que me tem sido útil para quase tudo. (Uma tradução livre da frase em inglês poderá ser: "A assumpção - os pressupostos - está na origem de todas as argoladas")
Assim sucedeu com os amigos de Job, nesse conto fantástico da Bíblia que tão bem retrata, aponta e corrige as maiores deficiência das religiões de todos os tempos. Sucede pois que estes senhores, e Job também, viviam imersos num universo de crenças assentes sobre três intuições fundamentais: 1) Deus existe e revela-Se aos Homens; 2) É bom para os Homens viver na amizade de Deus; e 3) Há uma maneira de viver que agrada a Deus. Tudo isto é verdade.
Porém, quando estas três intuições, de carácter etéreo e indefinido, deixam a boca dos "profetas" e se fixam através da pena dos "doutores da lei", transformam-se em crenças concretas por meio da transformação operada por pressupostos implícitos. É nesta passagem que as coisas correm mal, e aquelas três intuições transformam-se nestas três crenças: 1a) Podemos conhecer a Deus perfeitamente, conhecer o Seu pensar e prever o Seu agir; 2a) Aos amigos de Deus a vida correrá sempre de feição; e 3a) Podemos escrever uma lista de regras que, se estiverem "certas" e as cumprirmos todas, nos garantem a amizade de Deus.
Ora bem, facilmente reconhecemos o erro destas crenças, uma vez explicitadas. A primeira, no limite, dá talibans; a segunda dá amigos da onça, e a terceira pode dar fariseus. Mas também reconhecemos que algo de muito pragmático em nós, muito terreno e carnal, nos puxa para elas. Nós têmo-las em nós, somos influenciados por elas na relação que temos com Deus, e isto porque a cultura ainda não as ultrapassou, e mesmo que as ultrapassasse seriam sempre um desafio novo de fé e de amor para cada pessoa. Acreditar, como nos ensina S.Paulo, que "Deus concorre com tudo para o bem dos que O amam", é um salto qualitativo de fé que exige "travar o bom combate", às vezes só Deus sabe no meio de quanta escuridão interior.
"Então, do seio da tempestade, o Senhor tomou a palavra e disse: «Quem é aquele que obscurece a Minha providência com discursos sem inteligência?»" (Job 38,1)
Citando o nosso amigo Chesterton: "Prezados senhores: eu!"
Cumprimentos a todos e boas reflexões
Miguel CC

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Simone Weil - «O amor de Deus e a infelicidade»


Da introdução ao livro «Espera de Deus», de que foi apresentado o texto «O amor de Deus e a infelicidade», da autoria de José M. Pacheco Gonçalves:

«Uma última palavra sobre Simone Weil e Portugal. O leitor encontrará aqui a confidência que ela faz ao padre Perrin sobre três «contactos verdadeiramente significativos com o cristianismo». O primeiro deles tem lugar numa praia do norte de Portugal, em noite de lua cheia. Literalmente esmagada pela experiência de desventura que o trabalho na fábrica lhe havia causado, Simone é testemunha, quase acidental, de uma procissão de velas que as mulheres dos pescadores, gente pobre já se vê, realizava à volta dos barcos, entoando cânticos «decerto muito antigos, de uma tristeza dilacerante», «pungente», só comparável à música dos barqueiros do Volga. É então que ela recebe uma luz que a guiará até ao fim dos seus dias: dá-se conta de que a religião de Cristo crucificado é, não pode deixar de ser, a religião universal de todos os homens e mulheres, de todos os tempos e condições, marcados pelo ferro em brasa da desventura, da desgraça, do malheur (que o nosso vocábulo infelicidade não consegue exprimir).

Para Simone Weil, aderir a esta «religião dos escravos» não significa alienar-se numa forma religiosa opressiva e desumanizadora. (…) [Simone] manter-se-á fiel à máxima «sem submissão e sem revolta», por ela recordada nestas páginas. Desde há muito que ela descobrira em Ésquilo que é pelo sofrimento que se chega ao conhecimento («par la souffrance, la connaissance», escreve ela, repetidas vezes, nos Cadernos, quase sempre na fórmula original grega). E convicta de, como a Antígona de Sófocles, ter nascido «para partilhar o amor e não o ódio» (outra expressão que lhe é cara), Simone Weil encontra no Crucificado a chave do conhecimento, a via da verdade, a porta da alegria interior, que não a separa da massa dos desventurados de todos os tempos. O episódio teve lugar a 15 de Setembro de 1935. Os pais de Simone Weil estavam a passar uns dias de férias no Hotel Santa Luzia, no monte que domina Viana do Castelo. Simone optou por uma modesta pensão, em baixo, na cidade. Dando umas voltas pelas redondezas, desceu até à Póvoa do Varzim, onde naquele dia, domingo, se celebrava a Senhora das Dores. A aldeiazinha referida é provavelmente Caxinas, a caminho de Vila do Conde. Simone Weil tinha então 26 anos. Os oito que lhe restavam de vida não passariam em vão, como provam os textos de Espera de Deus. Em correspondência à intervenção mais social e política de outros escritos desta fase final, a sua desperta atitude de atenção e espera foi magnificamente gratificada. Isso porque, como ela recorda nos textos aqui propostos, é Deus que procura o homem, que o espera, exausto, sob o sol do meio-dia, junto ao poço de Jacob.
Carmo

Dostoievsky - O sonho de um homem ridículo


No conto fantástico de Dostoievski «O sonho de um homem ridículo», ele diz a certa altura:

«O céu estava terrivelmente escuro, mas podiam ver-se as nuvens e, entre elas, manchas negras insondáveis. Subitamente, numa dessas manchas negras, notei que havia uma pequenina estrela, e pus-me a olhar para ela fixamente. Foi porque aquela pequenina estrela me dera uma ideia: decidi matar-me nessa noite.»

E, um pouco mais à frente:

«Claramente, a vida e o mundo afiguravam-se-me naquele momento como dependentes de mim. Pode mesmo dizer-se deste modo que, naquele momento, o mundo era como se tivesse sido feito só para mim: mato-me e o mundo não existe mais, pelo menos para mim. Sem falar já do facto que, talvez fosse verdade que não existisse nada para ninguém depois de mim, e que o mundo inteiro, assim que a minha consciência se apagasse, apagar-se-ia de imediato como um espectro, um atributo só da minha consciência, e deixaria de ser, porque talvez, o mundo no seu conjunto e todos esses homens, no fundo, são apenas só eu…»

A 'pequenina estrela' que faz tomar uma decisão. Neste caso, terrível, mas que abriu uma brecha nesse sentir 'que a vida e mundo estavam dependentes só de mim', ou talvez mesmo que não existisse nenhuma realidade objectiva.

Penso que, por vezes, sem nos darmos conta, vivemos neste isolamento, neste individualismo, em que não deixamos entrar nada nem ninguém nos nosso 'esquema'. De alguma forma é parecido com um 'suicídio'.
Creio que Deus faz passar muitas 'pequeninas estrelas' pela nossa vida.
Penso que o caminho de descoberta da fé vai muito do saber parar e reparar nessas 'pequeninas estrelas'. É um processo progressivo, uma aprendizagem não apenas de conteúdos, mas de ser na vida, numa relação que se abre e deixa interpelar, na disposição de mudar, de se deixar iluminar pela grande estrela que é Deus.
Carmo

Ortodoxia - Chesterton


Chesterton, no seu livro Ortodoxia, em que relata a sua caminhada em direcção à descoberta da fé cristã, no final do Capítulo IV (A ética da terra dos contos de fadas), faz uma recapitulação de vários passos enunciados até aí:

«E assim termina, em inevitável inadequação, a tentativa de falar de coisas inefáveis. Esta é a minha atitude definitiva em relação à vida: o solo arável para as sementes da doutrina. Foram coisas que, de uma maneira obscura, pensei antes de conseguir escrevê-las, e que senti antes de conseguir pensá-las; a fim de podermos prosseguir com mais facilidade, procederei agora à sua rápida recapitulação. Tive a profunda sensação, primeiro, de que o mundo não se explica a si mesmo. Poderá ser um milagre para o qual haja uma explicação sobrenatural; poderá ser um truque de prestidigitação, para o qual haverá uma explicação natural. Mas, para me satisfazer, a explicação do truque de prestidigitação terá de ser melhor do que as explicações naturais que já me deram. Isto é mágico, seja verdadeiro ou falso. Em segundo lugar, cheguei à conclusão de que a magia tinha de ter um sentido e de que esse sentido tinha de ser conferido por alguém. Havia no mundo qualquer coisa de pessoal, como numa obra de arte; qualquer que fosse o sentido, era conferido de forma violenta. Em terceiro lugar, considerei que esse sentido era belo no seu desígnio primevo, apesar de defeitos que tinha, nomeadamente os dragões. Em quarto lugar, que a forma própria da nossa gratidão se encontra numa certa humildade e contenção: a maneira de mostrarmos a Deus que nos sentimos gratos pela cerveja ou pelo vinho de Borgonha, é não bebermos demasiada cerveja nem demasiado vinho. Ale de que devíamos obediência a quem nos tinha feito. Por fim, e este é o aspecto mais estranho, tinha a vaga e vasta impressão de que, em certo sentido, todo o bem era um salvado de uma espécie de ruína primordial, um salvado que tinha de ser preservado e tido como sacrossanto. Que os homens tinham salvado o seu bem como Crusoe tinha salvo os seus objectos – que os tinha resgatado de um naufrágio. Tinha todas estas impressões, impressões que os tempos de maneira nenhuma estimulavam. E, até este momento, não me tinha passado pela cabeça um pensamento que fosse sobre a teologia cristã.»

Chesterton está a falar da sua infância, da maravilha do 'terra dos contos de fadas', onde diz ter aprendido, ou melhor, experimentado, todo o essencial da vida. Aquilo a que normalmente chamamos realidade é muito redutor, relativamente a uma outra 'realidade' (aquilo a que chama 'magia') que essa, sim, pode conter todos os sentidos, mesmo sob a forma de paradoxos, e, no final, fazer todo o sentido.
Para mim, tenho que as crianças possuem um sentido 'instintivo' do sobrenatural e, portanto, da harmonia da vida. Mas, rapidamente, a 'realidade estreita' lhes ensina a mutilar essa grande capacidade.
Lembro-me de entrar para a escola primária, ainda não com 6 anos e, no recreio, brincar com outros 'às aventuras': fazíamos viagens a países onde havia 'monstros' (os arbustos que cresciam nos canteiros); vencíamos os 'monstros' de cada vez que conseguíamos com um esforço imenso, derrubar uma pernada de algum deles a golpes de espada imaginária. Havia pedras protectoras (em cima delas, estávamos a salvo). Ganhar era derrubar o maior número de monstros sem, claro, estragar muito os canteiros (haveria consequências um pouco gravosas para nós). O regresso à sala de aula para aprender o que quer que fosse, era como 'mudar de mundo', um mundo um tanto fastidioso. Era interessante, mas longe de ser apaixonante e tão real como o mundo dos 'monstros e das pedras protectoras'.
Que são hoje para nós os 'monstros', os de fora e os que habitam dentro? E quais as nossas 'pedras protectoras'? Será possível traduzir isto em termos da realidade apaixonante da fé cristã?
Carmo

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fixe, pá! Boa coisa!

Abraços e até amanhã
"Porthos"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Parabéns




Paulo


Parabéns pelo 'pontapé de arranque'.

Hoje é tarde.

Amanhã terei mais novidades.

Abraço

Carmo